Colégio Porto Real

O ENEM é importante, mas precisa ir mais fundo

Muitas pessoas, nas inúmeras palestras que ministro em diversas instituições de ensino, costumam me perguntar atualmente: “Afinal, como é que o Senhor está vendo o futuro da educação”? A resposta é simples: muito desastrosa, porque as pessoas deixaram de se questionar com o essencial da educação. Os pais, professores, novos sistemas de ensino estão se preocupando somente com os meios educativos – o que ensinar, como ensinar, resultados acadêmicos – e esquecem de refletir sobre o que é o mais importante: quais são os verdadeiros fins da educação que levem ao perfeito desenvolvimento da pessoa humana.

Afinal, o que eu quero de uma escola? Acredito que todos os pais querem um ensino de qualidade, com inglês forte, muito esporte, bom ambiente, que fomente o verdadeiro desenvolvimento intelectual e afetivo do filho. Mas eu me pergunto: Só? Isso é muito pouco…

Mas perguntemo-nos antes: essas escolas que estão desenvolvendo esse pouco, será que estão desenvolvendo corretamente todas as facetas do que eu quero para um ser humano? Será que não estão deixando para trás várias lacunas que só serão percebidas mais tarde? Lacunas de alfabetização, lacunas no raciocínio lógico, na percepção da beleza, na retenção e generalização do conhecimento?

Eu quero que o meu filho seja fluente em inglês, mas prefiro que ele saiba responder por que aprendeu inglês. Eu quero que ele saiba ler muito bem e escrever com rigor, mas eu quero também que ele aprenda a escolher corretamente o que ele deve ler e a escrever de forma que seja útil para a sociedade. Eu não quero somente que ele ganhe muito dinheiro no futuro: mas quero que ele aprenda o que fazer com todo esse dinheiro e se torne realmente um bom administrador de seus bens.

Diante de todas estas percepções, fico muito feliz quando encontro colégios que utilizam metodologias mais completas. Uma delas é chamada Educação PERSONALIZADA (não individualizada). Qual é o grande diferencial desse método?

Está apoiada em 3 grandes pilares: 1) singularidade: cada criança é única e por isso é defendido seu ritmo, seu temperamento, suas inclinações, seu sexo; 2) Autonomia dirigida: o professor direciona o aluno a buscar o conhecimento de acordo com essa singularidade; 3) Abertura ao outro: por meio do Projeto de virtudes e de tutoria, o aluno desenvolve uma capacidade de se envolver com o colega e de sentir-se útil à sociedade.

Quando se trabalham estes 3 aspectos dentro de sala de aula, a criança amadurece corretamente e quando chega à adolescência sua identidade brota naturalmente.

É tão triste quando vemos hoje crianças perdidas, sem ideais, sem motivação. Isto é um recado que muitos alunos estão dando aos sistemas educacionais no final do ensino médio: vocês fracassaram comigo! Ensinaram-me a passar no ENEM, mas não me ensinaram a descobrir quem eu sou!

Muitas escolas foram deixando várias lacunas no desenvolvimento sadio da criança, desde a educação infantil, passando pelo fundamental I e II, e essas lacunas muitas vezes só são percebidas no ensino médio. O problema principal desta temática é que infelizmente os pais não conseguem perceber esta falácia, e buscam somente resultados imediatos: que saiba pintar bonitinho, que saiba arranhar umas palavras em inglês ou ainda tenha uma aparência de estar alfabetizado, porque já sabe ler McDonald’s.

 

João Malheiro  – Doutor em Educação pela UFRJ

Diretor do Fundamental Masculino

e-mail: joao.malheiro@colegioportoreal.org.br

Blog: escoladesagres.org